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Por um Sporting fiel aos seus pergaminhos

Os desabafos de fiéis Leões

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Os desabafos de fiéis Leões

Os sócios do Sporting foram votar maciçamente no dia de ontem...

Os sócios do Sporting foram votar maciçamente no dia de ontem, dando mostras de uma militância e de uma capacidade de mobilização assinaláveis e batendo o record de votantes que datava de Jorge Gonçalves.
Este é o primeiro ponto a destacar: apesar de não ganharmos um campeonato há 15 anos, continuamos a ser capazes de mostrar que este clube pode contar connosco.

 

Depois, a partir do momento em que se ganha com quase 90% dos votos, não pode existir qualquer dúvida quanto a quem a esmagadora maioria dos sportinguistas entende dever ocupar o lugar da presidência. Bruno de Carvalho, será pois nos próximos quatro anos um presidente com toda a legitimidade para conduzir os destinos do clube. Com ele teremos ainda Jaime Marta Soares que por arrastamento, também foi eleito para a mesa da Assembleia Geral. Gonçalo Nascimento Ferreira e a lista C conseguiram cerca de 20% dos votos, correspondendo a 11 elementos eleitos para o Conselho Leonino, aquém do que merecia, apesar de mesmo no final da campanha ainda ter conseguido mostrar que corporizava um projeto interessante e arejado para um clube que caminha perigosamente para uma filosofia de messianismo e pensamento único.

 

Porém, estas eleições constituíram uma oportunidade perdida.

 

Oportunidade perdida, desde logo quando não surgiram mais candidatos que pudessem ter apresentado outras propostas e assim enriquecer a discussão relativamente aos problemas do Sporting, que infelizmente são inúmeros e alguns de difícil resolução. Cada um sabe de si, mas claramente é lamentável que não tenha avançado mais ninguém e testado assim de forma mais assertiva este mandato e as várias limitações que evidenciou. Foi isso também que permitiu este resultado tão desnivelado, que quanto a mim é negativo para os interesses do Sporting.

 

Na verdade, ao dar uma vitória tão expressiva a Bruno de Carvalho, perdeu-se a possibilidade de lhe mostrar que tem de mudar várias coisas na sua estratégia, no seu discurso, na sua postura. Assim, estão legitimadas todas as decisões irrefletidas, as promoções dos Geraldes desta vida, os excessos de linguagem – “bardarmerda para todos os que não são do Sporting” é só mais um exemplo infeliz do que um presidente do Sporting não pode dizer – toda a arbitrariedade, arrogância e egocentrismo. Na verdade, para quê mudar algo, quando 90% dos sócios lhe dão o seu voto? Pensará é que deve reforçar ainda mais esta forma de atuar. Admito que haja quem entenda que está tudo bem, que deve é continuar assim nesta postura de “nós contra o mundo”, mas não acredito minimamente nem no mérito, nem na eficácia desta estratégia.

 

Pedro Madeira Rodrigues avançou e tem mérito por isso. Apostou numa candidatura à presidência do Sporting, abdicando de um emprego estável e bem remunerado. Mais ninguém o fez. Avançou numa boa altura, quando a equipa ainda estava a lutar em várias frentes. Mas falhou completamente no discurso e estratégia que desenvolveu. Permitiu que BdC o conduzisse para uma campanha oca e vazia de conteúdo (a que mais lhe interessava), apresentou propostas mal sustentadas e fundamentadas, como o fecho do fosso e a compra da Academia, parecendo ir atrás de algum populismo, campo em que o atual presidente é de facto imbatível. A questão Jorge Jesus, que poderia até ser um trunfo a seu favor – como é possível o Sporting estar numa situação em que tem de pagar 20 milhões a um treinador para o despedir? – acabou por ser utilizada contra si. Tentou apresentar uma estrutura para o futebol, coisa que o presidente atual não fez, mas até aí mostrou incongruências. Boloni ia ficar até ao fim da época, mas depois vai contratar um treinador que até estava livre, dando claramente a entender que não seria a primeira opção...Mesmo no último dia apresenta um jogador...Teve várias saídas e críticas infelizes que foram aproveitadas até à exaustão pela máquina de propaganda que está ao serviço deste presidente (muito mais que do Sporting) e que investe nas redes sociais. (“ladrar”, “anúncio da candidatura quando o Marítimo ganhou”, “resposta a sócio”)... Aliás esta campanha terá até mobilizado muitos votantes no Facebook, que acharam que votar PMR era eleger o AntiCristo e por isso acorreram em massa a votar em BdC. PMR achou que podia ganhar, jogando com as mesmas armas de BdC. Obviamente que estava condenado à partida. Acredito sinceramente que seria melhor do que mostrou e que esteve mal aconselhado, embora tenha tido várias pessoas válidas a rodeá-lo. Mas não posso esquecer que fez um sacrifício pessoal para se apresentar nestas eleições, que é um sportinguista respeitável e não alguém colado aos rivais, como quiseram fazer crer nesta campanha miserável e do “vale tudo”. Por isso fico indignado com alguns sócios do Sporting que querem até expulsa-lo do clube, como se surgir como alternativa ou criticar o atual presidente seja uma blasfémia e que deva ser severamente punida. Se fosse no tempo da Inquisição, não tenho qualquer dúvida que pediriam a fogueira para ele, tal o nível de irracionalidade e de estupidez demonstradas.

 

Bom , mas agora isto tudo acabou e PMR deixou de ser saco de pancada para alguns sportinguistas. Voltamos à realidade dolorosa de uma época dececionante.

 

Temos hoje mais um jogo para ganhar e para ver até que ponto podemos ainda acalentar algumas esperanças que JJ se adapte ao Sporting e aposte mais nos valores que temos no clube. Não acredito nem nisso, nem na redenção de BdC e na sua capacidade de alterar o seu rumo e postura. Oxalá me engane e esteja a ser excessivamente pessimista.
Resta-me como sportinguista continuar atento ao que se passa no clube e desejar como sempre o melhor para o Sporting. Como o clube merece e como todos merecemos.

 

Sporting Sempre!

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