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Por um Sporting fiel aos seus pergaminhos

Os desabafos de fiéis Leões

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Os desabafos de fiéis Leões

Os problemas do Sporting - opinião de Carlos Daniel via Bancada

2017-08-21 
 

Até ao jogo de Guimarães, o Sporting apresentava-se menos empolgante que os rivais, sobretudo no que respeita à produção ofensiva.

O próprio Jorge Jesus admitiu estar mais focado no processo defensivo, ao mesmo tempo em que insistia na quantidade de jogadores novos que tem de integrar e reclamava os últimos reforços (antes um lateral direito e agora mais um avançado). O jogo de Guimarães não mudou tudo mas mostrou um rosto de leão diferente, indício claro de que o próprio Jesus identificou as fragilidades evidenciadas nas exibições frouxas tanto frente ao Vitória de Setúbal como ao Steaua.

 

Podemos sempre buscar a origem do mal num ou noutro jogador, numa leitura individual do jogo que é mais simples, mas muitas vezes enganosa - a falta que faz William, o processo de adaptação de Piccini e a recuperação física de Coentrão, o parceiro ideal para Bas Dost - mas é na dinâmica colectiva que têm de ser superados os problemas que esses jogos mostraram. É básico, mas às vezes vale a pena lembrar que só se chega à baliza contrária de três formas: pelos corredores laterais, pelo corredor central e pelo ar, sendo que a utilização dos corredores anda ligada - para ganhar espaço fora há que atrair dentro e vice-versa -, ao mesmo tempo que uma aposta nas alas, para cruzamento, se faz em relação directa com o poder que existe no aclamado "jogo aéreo". Os problemas do Sporting apresentaram duas dimensões fundamentais: dificuldade de construir por dentro, ou seja, pelo corredor central, e dificuldade em colocar gente na zona de finalização além de Bas Dost.

 

O problema de construção/criação no corredor central já foi, creio, a principal razão para a perda de rendimento dos leões na temporada anterior e na comparação com a primeira de Jesus em Alvalade. A ligação com o ataque ficou órfã dos movimentos interiores de João Mário e Bryan Ruiz (que ainda estava, mas perdeu influência) e o treinador esgotou sem grande sucesso todas as soluções possíveis para segundo avançado (André, Markovic, Campbell, Bruno César, um e outro Ruiz).

 

Este ano, o problema mantém-se, que Adrien não é um jogador que progrida em posse, pelo que dificilmente pode garantir essa criatividade sem que os alas/extremos joguem mais por dentro. Ora, os extremos titulares - Gelson e Acuna são essencialmente jogadores de corredor, de forçar o 1x1 e cruzar, sempre mais fortes quanto mais perto das laterais. Acresce que não têm natureza de finalizadores no espaço central, para movimentos de apoio ao ponta de lança quando a jogada se desenrola do lado oposto, embora se perceba que têm indicações para o fazer. A consequência de tudo isto era uma equipa que insistia em demasia no jogo pelas alas - por ter extremos fortes, mas também dificuldade em jogar por dentro - mas que cruzava muito para tão pouca gente na área, quase só Bas Dost, que Podence não tem argumentos a esse nível. 

 

Em Guimarães, Jesus mexeu para melhor. Bruno Fernandes surgiu para dar a criatividade que faltava no corredor central e dinamitou o Vitória. Gelson e Acuña surgiram muitas vezes a jogar no corredor menos habitual, de "pé trocado", o que multiplicou os movimentos interiores e a abertura das alas para Piccini e Coentrão. Não foi só o Vitória que esteve mal, foi também o Sporting que esteve melhor. E quando Jesus pede mais um avançado - Gabigol - está a pensar em resolver o que falta da equação: acabar com a solidão de Bas Dost na área, desenganado que estará com a hipótese de o holandês ligar bem com Doumbia, salvo em situações pontuais.

 

PS 1: Manuel Machado foi apenas mais contundente em algo a que sempre se refere quando defronta equipas mais fortes e sai derrotado. Por várias vezes insiste em falar na diferença de qualidade dos plantéis e na discrepância de orçamentos. O treinador do Moreirense tem toda a razão e não tem. Tem razão em que ou há uma distribuição mais justa de receitas televisivas ou adeus competitividade. Não tem porque é possível jogar muito melhor - e há quem jogue, no mesmo campeonato e com orçamentos idênticos - do que fizeram este fim de semana Moreirense, Belenenses e Vitória de Guimarães, todos excessivamente preocupados em defender e com poucas ideias para apresentar quando tinham a bola. 

 

PS 2: Depois de muitos anos com pontas de lança de escassa mobilidade (Cardozo e Mitroglou), o Benfica encontrou finalmente um goleador que não faz apenas golos e que existe tacticamente em todos (os quatro) momentos do jogo, não apenas no de organização ofensiva. Os mais lúcidos talvez entendam agora melhor algumas críticas que tanto os indignaram num passado recente. No fundo, é ver Seferovic e perceber as diferenças.

 

Carlos Daniel é jornalista na RTP e escreve no Bancada às segundas-feiras

 

 

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