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Por um Sporting fiel aos seus pergaminhos

Os desabafos de fiéis Leões

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Os desabafos de fiéis Leões

"O Sporting é muito mais do que o ódio ao Benfica" - José Roquette

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O Sporting é fruto do "amor" de um avô, visconde de Alvalade, pelo seu neto, José Alfredo Augusto das Neves Holtreman (José Alvalade), a quem ajudou a fundar o clube. O visconde sustentou a ideia, a primeira sede e as obras do primeiro campo e seria ele a fazer os estatutos do clube e primeiro presidente do Sporting Clube de Portugal.


Uma história que o neto do fundador, José Roquette, aquele que viria a ser presidente do Sporting (1996-2000), faz questão de contar e preservar: "O meu avô tinha 21 anos, tal como tinham vinte e tal anos os amigos [os irmãos Gavazzo, Francisco Stromp e Almeida Leite Júnior], quando tiveram a ideia de fundar um clube. Os Stromp até seriam melhores atletas e causavam mais impacto, mas o meu avô distinguia-se por ter um avô que o adorava. E como advogado da Casa Real tinha a capacidade financeira para sustentar a criação de uma instituição. Daí a frase "eu vou ter com o meu avozinho e ele resolve. E resolveu...""

Hoje, com 80 anos, José Roquette é um dos empresários mais respeitados de Portugal, pai de seis filhos e avô de 21 netos. Alguém que compreende bem esse amor de um avô pelo neto na base da formação do clube. "É preciso que eles saibam de onde vêm para terem alguma noção do que são e da responsabilidade. Não é uma questão de ADN, mas sim de pessoas, do seu caráter e de como isso moldou o clube", defendeu, esperando que tanto a neta mais velha, que tem 27 anos, como os gémeos com menos de um ano retenham que não foi só ir ao notário: "O Sporting foi fruto da relação extraordinária entre um avô e um neto e da força, determinação e garra de um grupo de amigos que queriam fazer a diferença."

Daí o lema que consta no registo do Sporting: "Esforço, devoção e glória." E a família Holtreman-Roquette esforça-se para que seja esse o seu lema também, embora "a vida tenha os seus próprios desígnios". Mas o importante a reter, segundo o empresário, é que essas foram raízes do Sporting: "Esforço para ganhar, a devoção como cultura e a glória, que na minha opinião resulta destas duas coisas."

Mas devoção sem fanatismos. "As manifestações de populismo que tendem a ser as claques não acrescentam nada à vida das pessoas. Eu gostaria que as gerações que me sucedem possam acrescentar valor. O Sporting é muito mais do que o ódio ao Benfica", atirou José Roquette, antes de recordar um episódio que marcou a sua presidência. "Custa-me ouvir aqueles cânticos do very light... foi a coisa mais dolorosa com que tive de lidar como presidente do Sporting. Na final da Taça de Portugal de 1996 morreu um adepto à minha frente. Eu fui-me aproximando para ver se algo me permitia tirar a equipa de campo, era o que eu devia ter feito, mas como o Sporting estava a perder iam dizer que foi por causa disso, e foi o que foi. Ainda hoje, 20 anos depois, me custa lembrar esse momento", recordou o antigo presidente, rematando: "O futebol é fenómeno de vida, não de morte."

Ser da família do fundador deu e dá algum estatuto: "Quando fui avô e ia à Maternidade Alfredo da Costa visitar a minha filha mais velha havia sempre uma fila enorme de gente para eu assinar as propostas de sócios porque achavam que eu era importante." Sim, para todos os efeitos era da família do fundador do Sporting e mais tarde (em 1996) chegaria a presidente.

Mas só se fez sócio aos 16 anos. "Nós vivíamos no Porto e um dia quando vim a Lisboa, o Manuel Dias, que era coadjuvo do meu tio António Casanovas, virou-se para mim e disse: "Você tem de ser sócio do Sporting." E lá me fiz sócio, foi uma decisão adulta já. Hoje existe muito aquela coisa de mal nascem já lá está o carimbo, quer gostes quer não gostes, és do Sporting", explicou o mais velho do clã Holtreman-Roquette, sem memórias do avó José Alvalade, que morreu aos 33 anos de tifo.

São histórias como esta que a família recorda na reunião anual: "Não para dizer que o trisavô fez isto e o avô aquilo, mas para nos conhecermos, saber de onde viemos e quem somos, perceber porque somos assim. Os antepassados não são para serem esquecidos." Por isso "foi simples e natural" preservar a herança, depois de uma investigação que permitiu fazer a árvore genealógica da família. Existe mesmo um espólio guardado na Herdade do Esporão, em Redondo (Alentejo), que conta como a história da família se funde com a do Sporting e a do país, da monarquia à democracia atual.

 

Fonte: http://www.cortinaverde.pt/2017/04/o-sporting-e-muito-mais-do-que-o-odio.html

 

 

Analisemos assim estas declarações de José Roquette:

 

O Sporting nasceu da ideia de um grupo de jovens que quiseram ser pioneiros em algo relativamente recente na sociedade portuguesa: a prática do desporto.

 

A dedicação para ganhar e a devoção como cultura constituem a glória do clube. Ou seja, independentemente das vitórias e das derrotas, o Sporting vale pela sua identidade, e só com essa identidade as próprias vitórias podem ter "sabor". Essa é a glória na hora da vitória como até na hora da derrota.

 

Lendo os primeiros estatutos do Sporting, percebe-se que a finalidade da criação do Sporting foi acrescentar algo mais à sociedade portuguesa, e não tanto as eventuais rivalidades entre clubes. Essa característica entre o Sporting e o Benfica foi fruto de muita décadas de disputas em campo.

 

Mas rivalidade. Não ódio.

 

Quanto a José Roquette, tenho para mim que foi um dos presidentes mais dignos do cargo nas últimas décadas, como também sou da opinião que ele é o menos culpado do que quer que seja. E não o digo por ser neto de quem é. Mas pela postura e pelo que tentou acrescentar ao Sporting e ao futebol português.

 

Hoje não lhe dão o devido valor, fruto de uma actual liderança populista e demagógica legitimada pela grande maioria dos sportinguistas.

 

É evidente que este actual Sporting nunca será um verdadeiro "grande" com os actuais responsáveis pelo clube, tanto dentro de campo como fora dele. 

 

Mas se calhar teremos que passar por isto para que um dia se faça a história dos últimos 20\30 anos de uma forma mais fria e sensata, para que testemunhos como este de José Roquette prevaleçam sempre como a forma de estar e de ser do Sporting Clube de Portugal. Ou seja, à imagem daquilo que os fundadores protagonizaram.

 

Pois só assim as vitórias terão verdadeira glória!...

 

 

PS: Sobre José Roquette e o seu projecto já escrevi alguns artigos.

 

http://relvado.aeiou.pt/ha-sportinguistas-injusticados-511589

 

http://ocantinhodealkmaar.blogs.sapo.pt/de-roquette-a-croquette-8978

 

http://ocantinhodealkmaar.blogs.sapo.pt/a-azarada-semana-que-alterou-o-destino-25091

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