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Por um Sporting fiel aos seus pergaminhos

Os desabafos de fiéis Leões

Por um Sporting fiel aos seus pergaminhos

Os desabafos de fiéis Leões

És um homem "se"

És Um Homem "se"

 

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu...

 

Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...

 

Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...

 

Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...

 

Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...

 

Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...

 

Fazer do pensamento um arco de aliança
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...

 

Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...

 

Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...

 

Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...

 

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio, a construir de novo...

 

Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...

 

Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre...

Se, vivendo entre os reis, conservas a humildade...

Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...

 

Se quem conta contigo encontra mais que a conta...

 

Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minuto se espraia em séculos fecundos...

 

Então, ó ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...

Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,

 

Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...

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